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NOVA AQUISIÇÃO

MANNING, Frederic (1882–1935). The Middle Parts of Fortune: Somme & Ancre, 1916 (The Folio Society, London, 2012).

Referência: 00328

MANNING (Frederic) [1882–1935].— FREDERIC MANNING // The Middle Parts of Fortune // Somme & Ancre, 1916 // Introduced by // DAVID MALOUF // Illustrated by // ERI GRIFFIN // London // The Folio Society // 2012.— In-8.º, XV, 288 p. E. editorial com estojo. 

Entre os grandes testemunhos literários da Primeira Guerra Mundial, «The Middle Parts of Fortune» ocupa lugar singular pela proximidade entre experiência vivida e elaboração ficcional. Frederic Manning, australiano radicado na Inglaterra, serviu como soldado raso na Frente Ocidental em 1916. Na nota prefacial, o próprio autor esclarece que o livro registra experiências ocorridas nas frentes do Somme e do Ancre durante a segunda metade daquele ano, embora as personagens sejam ficcionais.

Essa origem confere à narrativa uma autoridade particular. Manning não constrói uma visão panorâmica do conflito, nem se detém na estratégia militar ou na retórica patriótica. Seu interesse recai sobre a vida ordinária dos soldados: a fadiga, o medo, a disciplina, a camaradagem, a brutalidade da convivência e a consciência permanente da morte. A guerra surge assim em escala humana, reduzida ao corpo, à linguagem, ao gesto e à espera.

Publicado originalmente em 1929, em edição limitada da Piazza Press, o romance reapareceu no ano seguinte sob o título «Her Privates We», em versão expurgada. A presente edição da Folio Society retorna ao texto da primeira edição integral, sem os cortes posteriores, introduzindo apenas pequenas emendas editoriais. Essa opção devolve ao leitor a força verbal e a franqueza que pertencem à concepção original da obra.

A introdução de David Malouf situa Manning no contexto da literatura de guerra e chama atenção para a excepcionalidade de sua trajetória intelectual. Escritor de formação clássica, ligado aos círculos literários ingleses e próximo de figuras como Ezra Pound e T. E. Lawrence, Manning produziu com este romance uma obra de caráter muito distinto de seus escritos anteriores. O resultado é uma narrativa ao mesmo tempo austera e profundamente sensível, cuja reputação se consolidou entre os grandes livros do conflito. A admiração expressa por Ernest Hemingway, mencionada por Malouf, é indicativa da alta consideração crítica que a obra alcançou.

A edição da Folio Society, publicada em 2012, acompanha o texto com nove ilustrações de Eri Griffin, incluindo o frontispício. Executadas em linguagem gráfica severa, dominada por negros, cinzas e fortes contrastes, as imagens estabelecem uma correspondência direta com a atmosfera do romance. Soldados, explosões, abrigos e marchas aparecem tratados sem monumentalidade, reforçando o caráter anti-heroico e humano da narrativa.

O projeto material prolonga essa mesma concepção. O volume foi composto em Arno Pro, impresso sobre papel Abbey Wove pela Memminger MedienCentrum AG, em Memmingen, Alemanha, e encadernado por Lachenmaier, em Reutlingen, em papel impresso e bloqueado segundo desenho da própria Eri Griffin. A capa, com silhuetas de soldados em marcha e motivo de arame farpado, traduz visualmente a dureza da experiência narrada sem recorrer a efeitos decorativos excessivos.

O interesse desta edição reside justamente na convergência entre texto, aparato crítico e projeto gráfico. A restituição do texto integral, a introdução de Malouf e o programa visual de Griffin resultam em uma edição particularmente coerente de um dos romances mais intensos sobre a experiência do combatente na Primeira Guerra Mundial.

Exemplar em excelente estado de conservação. Encadernação editorial firme, com projeto gráfico bem preservado e apenas discretos sinais superficiais de manuseio. Miolo limpo, papel claro, impressão nítida e ilustrações em excelente apresentação. Acompanha estojo editorial preservado, apresentando apenas algumas leves marcas de manuseio. Sem assinaturas, marcações ou carimbos.