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ERASMO, Desidério (c. 1466–1536). Des. Erasmi Roterod. Colloquia nunc emendatiora (Ex Officina Elzeviriana, Amsterdã, 1679).
ERASMO, Desidério (c. 1466–1536). Des. Erasmi Roterod. Colloquia nunc emendatiora (Ex Officina Elzeviriana, Amsterdã, 1679).

ERASMO, Desidério (c. 1466–1536). Des. Erasmi Roterod. Colloquia nunc emendatiora (Ex Officina Elzeviriana, Amsterdã, 1679).

Referência: 01008

ERASMO (Desidério) [c. 1466–1536].— [frontispício gravado: Erasmus em pé, observando através de um instrumento óptico; ao alto, mão emergindo das nuvens sustenta um globo encimado por cruz] // DES. // ERASMI // Roterod. // COLLOQVIA // nunc emenda- // tiora. // [assinatura do gravador: Corn. Cl. Duysent. sculp.] // VIDIT // PERVIDIT // RISIT. // AMSTELODAMI, // Ex Officina Elzeviriana. Anno 1659.— In- 12.º, [20], 672 p.  E. editorial em pergaminho.

Desidério Erasmo de Roterdã foi um dos grandes nomes do humanismo europeu, filólogo, teólogo e escritor cuja obra acompanhou de perto as transformações intelectuais e religiosas do início do século XVI. Defensor de uma cultura fundada no estudo das fontes clássicas e cristãs, fez do latim não apenas instrumento de erudição, mas também veículo de crítica dos costumes, da educação e da vida religiosa de seu tempo. Entre seus escritos de maior circulação, os «Colloquia» ocupam lugar de destaque pela combinação de pedagogia, sátira e observação social.

Concebidos inicialmente a partir de fórmulas destinadas ao aprendizado do latim e progressivamente ampliados por Erasmo ao longo de sucessivas edições, os «Colloquia familiaria» transformaram o exercício escolar do diálogo em uma extensa galeria da sociedade europeia do Renascimento. Viagens, casamento, educação, guerra, peregrinações, vida clerical, superstição, convivência doméstica e práticas religiosas são tratados por meio de conversações nas quais a vivacidade literária serve a uma intenção crítica e pedagógica. O diálogo permite a Erasmo confrontar argumentos e comportamentos sem reduzi-los à exposição doutrinária, fazendo da conversação um dos instrumentos mais eficazes de sua escrita humanística.

O presente exemplar corresponde à edição publicada em Amsterdã, em 1679, pela Officina Elzeviriana, então sob a direção de Daniel Elzevier (1626–1680). O pé de imprensa do próprio volume registra a forma «Amstelodami: Ex Officina Elzeviriana, Anno 1679», razão pela qual essa designação é mantida como referência editorial formal da edição.

Em formato duodécimo, a edição é bibliograficamente descrita com [20], 672 páginas e registrada por Alphonse Willems sob o nº 1563 em sua bibliografia dos Elzevir. Trata-se da terceira edição elzeviriana de Amsterdã dos «Colloquia». A composição compacta, característica das edições portáteis da oficina, associa tipografia de pequena escala a iniciais ornamentadas, frisos xilográficos e numerosas apostilas marginais impressas.

Antecede o texto um frontispício calcográfico, no qual o retrato de Erasmo integra uma composição arquitetônica e alegórica. A gravura é atribuída a Cornelis Claesz Duysend e traz, além do título «Des. Erasmi Roterod. Colloquia nunc emendatiora», o pé de imprensa «Amstelodami, Ex Officina Elzeviriana, Anno 1679», estabelecendo no próprio exemplar local, oficina e data desta edição.

O aparato preliminar conserva elementos importantes da tradição editorial dos «Colloquia». Entre eles encontra-se a dedicatória de Erasmo a Johann Froben, impressor de Basileia intimamente associado à história editorial de sua obra, além de texto de Johannes Sleidanus acerca dos «Colloquia» e outras composições preliminares.

O volume inclui ainda a seção «Vita Erasmi, Erasmo Auctore», bem como diferentes composições em verso relacionadas ao humanista. Entre os elementos iconográficos destaca-se a página intitulada «Ex nummo argenteo», com duas efígies medalhísticas, uma delas representando Erasmo.

Ao final encontra-se o extenso «Colloquiorum Index», organizado alfabeticamente e destinado à localização dos diferentes diálogos e matérias. Integra ainda a edição a «Coronis apologetica pro Colloquiis Erasmi», compilada a partir dos escritos do próprio Erasmo por P. S., identificado bibliograficamente como Petrus Scriverius (Pieter Schrijver, 1576–1660), acompanhada de texto sobre a utilidade dos «Colloquia». Esse aparato complementar documenta a longa história de leitura, defesa e recepção crítica da obra ao longo dos séculos XVI e XVII.

De grande sobriedade, a encadernação preserva a aparência característica dos pequenos volumes elzevirianos destinados ao manuseio e à leitura continuada, apresentando a tonalidade, ondulações e marcas naturalmente adquiridas pelo pergaminho ao longo de mais de três séculos.

Particular interesse apresentam as marcas de proveniência e uso preservadas nas guardas e folhas em branco. Encontram-se inscrições manuscritas executadas em diferentes tintas e grafite, pertencentes a momentos distintos da trajetória do exemplar. Destaca-se uma inscrição antiga em tinta castanha, hoje parcialmente esmaecida, acompanhada por outras notações, nomes e registros numéricos posteriores. Entre as inscrições mais recentes identifica-se ainda «Frank R. Brown / Nov. 19, 1935». As demais marcas cuja leitura ou função não pode ser determinada com segurança são mantidas sem atribuição, como testemunhos da circulação histórica do volume.

A coexistência da encadernação editorial, das sucessivas inscrições de posse e uso e da preservação integral do texto confere ao exemplar uma história material especialmente expressiva: um livro concebido para circular, estudar e ser lido que conserva, ainda hoje, vestígios concretos das mãos pelas quais passou.

Exemplar completo, conferido em sua sequência até a última página numerada, 672, onde termina com «FINIS». Encadernação editorial em pergaminho flexível, firme, com título manuscrito «Erasmi Colloquia» na lombada; pergaminho com tonalidade irregular, manchas, marcas de manuseio, ondulações, pequenas deformações e desgastes compatíveis com sua idade. Estrutura de costura visível em pontos da lombada. Miolo íntegro e firme, com papel naturalmente tonalizado, escurecimento variável, manchas esparsas e sinais de manuseio, mantendo impressão nítida e plenamente legível. Frontispício calcográfico, elementos iconográficos, iniciais ornamentadas, frisos, apostilas marginais e índice preservados. Guardas e folhas em branco com inscrições manuscritas antigas e posteriores, algumas esmaecidas, além de notações a tinta e grafite.