CERVANTES, Miguel de (1547–1616). Dom Quixote de La Mancha (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2004).
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CERVANTES SAAVEDRA (Miguel de) [1547–1616].— MIGUEL // DE CERVANTES // SAAVEDRA // O ENGENHOSO FIDALGO // D. QUIXOTE // DE LA MANCHA // Tradução dos // VISCONDES DE CASTILHO E AZEVEDO // adaptada à ortografia vigente // e acorde com as edições espanholas mais autorizadas. // Precedida de um // Esboço biográfico de Cervantes // por JÚLIO CEJADOR, // Catedrático que foi da Universidade de Madri, // e de um // Breve Guia para o Leitor do Quixote // por JUSTO GARCÍA SORIANO, laureado duas vezes pela Real Academia Esponhola, // e JUSTO GARCÍA MORALES, // Diretor da Seção Cervantina da Biblioteca Nacional de Madri. // [Marca tipográfica da Editora Nova Aguilar com as letras «N» e «A» entrelaçadas] // [———] // RIO DE JANEIRO, EDITORA NOVA AGUILAR S.A., 2004. — In-12.º., 1149, [2] p. E. editorial.
Edição brasileira de grande aparato editorial do Dom Quixote, publicada pela Editora Nova Aguilar na tradicional coleção Biblioteca de Autores Universais, destinada a reunir grandes clássicos da literatura mundial em volumes cuidadosamente preparados e extensamente anotados. O volume apresenta a célebre tradução portuguesa dos Viscondes de Castilho e Azevedo, uma das versões clássicas do romance cervantino em língua portuguesa, revista e acompanhada de aparato crítico e notas provenientes de importantes comentadores espanhóis.
A obra é precedida por introdução geral, esboço biográfico de Cervantes e guia para o leitor do Quixote, além de extensa seleção de notas explicativas e apêndices destinados a contextualizar historicamente o romance e sua fortuna crítica. O volume inclui ainda índices detalhados — de capítulos, ilustrações e primeiros versos — e abundante material iconográfico relacionado à tradição editorial e artística da obra.
Publicado originalmente em duas partes (1605 e 1615), Dom Quixote de la Mancha é amplamente reconhecido como uma das obras fundadoras do romance moderno. Na narrativa, o fidalgo Alonso Quijano, após se embriagar pela leitura dos romances de cavalaria, decide tornar-se cavaleiro andante sob o nome de Dom Quixote, partindo em aventuras ao lado de seu fiel escudeiro Sancho Pança. Misturando sátira, reflexão literária e profunda observação da condição humana, Cervantes constrói uma obra que oscila entre o cômico e o trágico, confrontando imaginação e realidade.
Entre os muitos episódios memoráveis do romance, destaca-se a célebre cena em que Dom Quixote toma moinhos de vento por gigantes, símbolo da tensão entre imaginação e realidade que atravessa toda a obra:
«— A ventura vai encaminhando os nossos negócios melhor do que o soubemos desejar; porque, vês ali, amigo Sancho Pança, onde se descobrem trinta ou mais desaforados gigantes, com quem penso fazer batalha, e tirar-lhes a todos as vidas, e com cujos despojos começaremos a enriquecer; que esta é boa guerra, e bom serviço faz a Deus quem tira tão má raça da face da terra.»
«— Quais gigantes? — disse Sancho Pança.
— Aqueles que ali vês — respondeu o amo — de braços tão compridos, que alguns os têm de quase duas léguas.
— Olhe bem Vossa Mercê — disse o escudeiro — que aquilo não são gigantes, são moinhos de vento.»
(p. 115).
Além do valor literário universal do texto, esta edição distingue-se pelo seu caráter editorial abrangente, reunindo texto integral, aparato crítico, material iconográfico e índices especializados, configurando um volume de referência para leitores e estudiosos da obra cervantina.
Exemplar em muito bom estado de conservação. Encadernação editorial firme; miolo íntegro, limpo e bem preservado; impressão nítida. Sem assinaturas, carimbos ou marcações. Acompanha estojo e sobrecapa. 3ª reimpressão da 1ª edição.
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