CAMÕES, Luís de (c. 1524–1580). Os Lusíadas (Officina Ferreyriana, Lisboa Occidental, 1721).
CAMÕES, Luís de (c. 1524–1580). Os Lusíadas (Officina Ferreyriana, Lisboa Occidental, 1721).
CAMÕES, Luís de (c. 1524–1580). Os Lusíadas (Officina Ferreyriana, Lisboa Occidental, 1721).
CAMÕES, Luís de (c. 1524–1580). Os Lusíadas (Officina Ferreyriana, Lisboa Occidental, 1721).
CAMÕES, Luís de (c. 1524–1580). Os Lusíadas (Officina Ferreyriana, Lisboa Occidental, 1721).
CAMÕES, Luís de (c. 1524–1580). Os Lusíadas (Officina Ferreyriana, Lisboa Occidental, 1721).

CAMÕES, Luís de (c. 1524–1580). Os Lusíadas (Officina Ferreyriana, Lisboa Occidental, 1721).

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CAMÕES (Luís de) [c. 1524–1580].— OS LUSIADAS // DO GRANDE // LUIS DE CAMOENS, // PRINCIPE DOS POETAS // de Hespanha, // Com os Argumentos do Lecenciado // JOAM FRANCO BARRETO, // & Index de todos os nomes proprios, // agora nesta ultima impressaõ no- // vamente correcta. // OFFERECIDO AO SENHOR // MANOEL GALVAM // DE CASTELLO BRANCO, // FIDALGO DA CAZA DE SUA // Magestade, Collegial em o Pontificio Colle- // gio de S. Pedro da Universidade de Coim- // bra, Secretario das Justiças, & da // Meza do Dezembargo do Paço. // [pequeno ornamento tipográfico floral] // LISBOA OCCIDENTAL, // Na Officina FERREYRIANA, // [rule] // M.DCC.XXI. // Com todas as licenças necessarias.— In-16.º, [14], 896, [2] p. E. coeva em plena pele.

Impressão lisboeta setecentista de uma das obras fundamentais da língua portuguesa, publicada na Officina Ferreyriana pouco mais de um século e meio após a primeira edição de Os Lusíadas. A folha de rosto, impressa em vermelho e preto, apresenta Camões como «Principe dos Poetas de Hespanha» e anuncia os argumentos de João Franco Barreto e o índice de nomes próprios. A edição é registrada pela Biblioteca Nacional de Portugal com [14], 896, [2, última branca] páginas.

O volume possui composição particularmente ampla. Além dos dez cantos de Os Lusíadas, conserva a dedicatória a Manoel Galvam de Castello Branco, as licenças, a «Vida do grande Luis de Camoens», o índice dos nomes próprios e uma extensa seção das Rhythmas de Luis de Camoens. Estas principiam à p. 481 e prosseguem dentro da mesma sequência de paginação até o termo do volume, reunindo sonetos e outras formas da poesia lírica camoniana. A estrutura é documentada em descrições históricas da Biblioteca Nacional e em registros camonianos especializados, que igualmente assinalam o início das Rhythmas na p. 481 e seu término na p. 896.

Conserva ainda o retrato gravado de Camões, representado em busto dentro de medalhão oval, acompanhado das armas atribuídas ao poeta, da pena e da espada — associação visual particularmente expressiva entre letras e armas, central à construção iconográfica de Camões. A impressão apresenta numerosas capitulares, ornamentos e vinhetas tipográficas, entre elas a composição que encerra o índice. A folha final preserva os vistos relativos à impressão e a taxação datada de 8 de janeiro de 1722, testemunho material do circuito administrativo do livro imediatamente após sua impressão de 1721. A presença conjunta da épica, da notícia biográfica, do aparato de consulta e das Rhythmas confere a esta edição interesse que ultrapassa a simples transmissão do poema, oferecendo uma representação editorial abrangente de Camões como poeta épico e lírico.

Exemplar em encadernação antiga de plena, de formato compacto, com lombada nervurada ricamente decorada a ouro, filetes e ferros ornamentais nos compartimentos e rótulo em pele mais clara com o nome «CAMOENS» dourado. Cortes originalmente marmoreados em vermelho, ainda nitidamente perceptíveis, embora naturalmente desvanecidos pelo tempo. A encadernação permanece estruturalmente firme, apresentando desgaste compatível com a antiguidade: abrasões e escurecimento da pele, pequenas perdas superficiais sobretudo junto às extremidades e cantos, desgaste nos cabeceados e discretas fissuras superficiais localizadas nas juntas, sem abertura estrutural aparente. A douração da lombada conserva-se em proporção significativa, com perdas e atenuação pontuais. Miolo firme, com papel de boa consistência e impressão forte e nítida; tonalização natural, foxing esparso e pequenas manchas antigas distribuídas de maneira irregular, mais perceptíveis em algumas folhas preliminares e finais. Há pequenas irregularidades e rasgos marginais pontuais em algumas folhas, sem perda textual. Retrato gravado preservado, assim como os ornamentos tipográficos e as principais seções do volume. Pequena anotação numérica antiga na guarda anterior. No conjunto, exemplar muito atraente de uma edição portuguesa de 1721, preservando extensa matéria camoniana e relevantes elementos materiais de sua circulação setecentista.