SÁ-CARNEIRO, Mário de (1890–1916). Obra completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1995).
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SÁ-CARNEIRO (Mário de) [1890–1916].— MÁRIO DE // SÁ-CARNEIRO // OBRA COMPLETA // INTRODUÇÃO E ORGANIZAÇÃO // Alexei Bueno // [Monograma da Editora Nova Aguilar em vermelho com as letras "N" e "A" sobrepostas] // [——] // RIO DE JANEIRO, EDITORA NOVA AGUILAR S.S, 1995.— In-12.º, 1101, [2] p. E. editorial.
Monumental reunião da produção literária de Mário de Sá-Carneiro, um dos nomes mais intensos, inquietos e decisivos do modernismo português. Publicado pela prestigiosa coleção Biblioteca Luso-Brasileira, Série Portuguesa, este volume único reúne, em edição criteriosa, praticamente a totalidade da obra do autor, com introdução geral de Alexei Bueno, cronologia da vida e da obra, bibliografia, iconografia e aparato editorial de referência.
O volume abrange de forma ampla os diversos gêneros cultivados por Sá-Carneiro: poesia (Dispersão, Indícios de Ouro, Últimos poemas, Poemas dispersos, Primeiros poemas), prosa (Princípio, A Confissão de Lúcio, Céu em Fogo, contos e dispersos), teatro (Amizade, A Alma) e correspondência (literária e íntima), oferecendo ao leitor uma visão integral de uma obra marcada pela vertigem psicológica, pela fragmentação identitária, pelo decadentismo finissecular e por uma sensibilidade estética singular.
Figura central da geração de Orpheu, ao lado de Fernando Pessoa, Sá-Carneiro ocupa posição única na literatura de língua portuguesa. Sua escrita funde simbolismo, decadentismo, modernidade psicológica e experimentalismo formal numa voz intensamente pessoal, muitas vezes marcada pela inquietação metafísica, pelo culto da arte e pela dissolução do eu. Sua morte precoce, aos 25 anos, contribuiu para a aura mítica que cerca sua obra, sem jamais eclipsar sua extraordinária densidade literária.
Como síntese da intensidade vertiginosa de sua poesia, o próprio autor escreve em um trecho de Dispersão:
«Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida.Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.»
(p. 61).
Mais que uma homenagem elegíaca, esses versos condensam a recepção de uma obra breve em duração, mas imensa em intensidade.
A presente edição apresenta-se em encadernação editorial, com douração preservada na lombada e na capa anterior, integrando a elegante padronagem característica da coleção. Exemplar em muito bom estado geral de conservação, com encadernação firme, miolo íntegro e limpo. Apresenta alguns pontos de oxidação nos cortes, compatíveis com o tempo. Em uma das folhas em branco iniciais, observa-se pequeno resquício de cola, sem maior relevância. Na última página do índice, há pequena perda de papel na margem superior, sem qualquer prejuízo à leitura, provavelmente ocasionada no momento da abertura do volume em razão de excesso de cola da própria encadernação editorial. Pequenos sinais gerais de manuseio compatíveis com exemplar de época, sem comprometimento estrutural. Fita de leitura original preservada. Sem assinaturas, carimbos ou marcações.
Estado de conservação
bom
novo
Detalhes do exemplar
Largura: 12 cm
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