LIMA, Jorge de (1893–1953). Poesia completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997).
LIMA, Jorge de (1893–1953). Poesia completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997).
LIMA, Jorge de (1893–1953). Poesia completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997).
LIMA, Jorge de (1893–1953). Poesia completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997).
LIMA, Jorge de (1893–1953). Poesia completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997).
LIMA, Jorge de (1893–1953). Poesia completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997).
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LIMA, Jorge de (1893–1953). Poesia completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997).

LIMA, Jorge de (1893–1953). Poesia completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1997).

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LIMA, (Jorge Mateus de) [1893–1953].— JORGE DE LIMA // POESIA COMPLETA // ORGANIZAÇÃO // Alexei Bueno // TEXTOS CRÍTICOS // Marco Lucchesi // José Américo de Almeida // José Lins do Rego // Benjamin Lima // Tristão de Ataíde // Manuel Anselmo // Mário de Andrade // Gilberto Freyre // Fausto Cunha // João Gaspar Simões // Euríalo Canabrava // Murilo Mendes // [Monograma editorial em vermelho, estilizado com as letras entrelaçadas "A" e "N", tradicional da casa publicadora] // [——] // RIO DE JANEIRO, EDITORA NOVA AGUILAR S.A., 1997 // BIBLIOTECA // LUSO-BRASILEIRA // Série Brasileira // JORGE DE LIMA // POESIA COMPLETA // em um volume // INTRODUÇÃO GERAL // Nota editorial / O sistema Jorge de Lima // Cronologia da vida e da obra // Auto-retrato intelectual / Fortuna crítica // POESIA // Poemas da infância e sonetos / XIV Alexandrinos // Poemas / Novos poemas / Poemas escolhidos // Poemas negros / Tempo e eternidade // A túnica inconsútil / Anunciação e encontro de Mira-Celi // Livro de sonetos / Invenção de Orfeu / Castro Alves — vidinha // Poemas dispersos / Poemas traduzidos // APÊNDICE // Bibliografia / Índice de títulos e primeiros versos // Índice geral.— In-12.º., 902, [2] p. E editorial com sobrecapa e estojo.

Jorge de Lima ocupa um lugar central na poesia brasileira do século XX, transitando do parnasianismo e do simbolismo a uma poética de tom social, místico e barroco. Médico, político e poeta, sua obra é múltipla, mas ganha força especial no engajamento com a condição humana e com a história cultural do Brasil.

Em Poemas Negros, o poeta mergulha na condição histórica e espiritual da diáspora africana no Brasil, denunciando a escravidão e refletindo sobre a formação mestiça da identidade nacional.

No poema «Foi mudando, mudando», essa meditação adquire cadência de ladainha, insistindo na pergunta sobre as raízes do povo brasileiro. O tom reiterativo transforma-se em interrogação existencial e histórica, que no desfecho ecoa como síntese pungente:

«Quem foi que te deu esta sabedoria,
mais dengo e alvura,
cabelo escorrido, tristeza do mundo,
desgosto da vida, orgulho de branco, algemas, resgates, alforrias?
Foi negro, foi índio ou foi cristão?
Quem foi que mudou teu leite,
teu sangue, teus pés,
teu modo de amar,
teus santos, teus ódios,
teu fogo,
teu suor,
tua espuma,
tua saliva, teus abraços, teus suspiros, tuas comidas,
tua língua?
Te vendo, medito: foi negro, foi índio ou foi cristão?»
(p. 310)

A repetição obsessiva da pergunta retórica constrói uma verdadeira liturgia da mestiçagem brasileira, revelando a hibridez cultural, religiosa e corporal do povo. Mais do que identificar uma origem única, Jorge de Lima mostra que a identidade nacional nasce da mistura de raças e culturas, mas também das marcas profundas da escravidão, da violência colonial e da resistência.

Esse poema é, ao mesmo tempo, denúncia e celebração, ecoando a memória dos povos oprimidos (negros e indígenas), mas também registrando como a herança cristã se impôs de forma violenta.

Encadernação editorial em capa dura verde, com lombada ornada em prateado preservada e douração preservada na assinatura fac-símile do autor na capa. Miolo íntegro, limpo e firme. Impresso em papel Valobible francês. Fita de leitura preservada. Acompanha sobrecapa e estojo originais, ambos preservados. Sem assinaturas, carimbos ou marcações.