João Cabral de Melo Neto — Obra completa (Nova Aguilar, 2003). Livro físico. Encadernação editorial com douração.
João Cabral de Melo Neto — Obra completa (Nova Aguilar, 2003). Livro físico. Encadernação editorial com douração.

MELO NETO, João Cabral de (1920–1999). Obra completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2003).

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MELO NETO (João Cabral de) [1920–1999].— JOÃO CABRAL // DE MELO NETO // OBRA COMPLETA // Edição organizada por Marly de Oliveira com assistência do autor // [monograma editorial em vermelho, estilizado com as letras entrelaçadas "A" e "N", tradicional da casa publicadora, Editora Nova Aguilar] // [——] // RIO DE JANEIRO, EDITORA NOVA AGUILAR S.A., 2003 // BIBLIOTECA // LUSO-BRASILEIRA // Série Brasileira // JOÃO CABRAL DE MELO NETO // OBRA COMPLETA // Volume único // INTRODUÇÃO GERAL // Prefácio / Cronologia da vida e da obra / Bibliografia // POESIA // Pedra do sono / Os três mal-amados / O engenheiro // Psicologia da composição / O cão sem plumas / O rio // Paisagens com figuras / Morte e vida severina // Uma faca só lâmina / Quaderna / Dois parlamentos / Serial // A educação pela pedra / Museu de tudo / A escola das facas // Auto do frade / Agrestes / Crime na Calle Relator // Sevilha andando / Andando Sevilha // PROSA // Considerações sobre o poeta dormindo / Jean Miró // Poesia e composição / Crítica literária / Da função moderna da poesia // Como a Europa vê a América / Elogio de Assis Chateaubriand // A diversidade cultural no diálogo Norte-Sul // Agradecimento pelo Prêmio Neustadt // APÊNDICE // Primeiros poemas // ÍNDICES.— In-12.º., 837 p. E. editorial.

Edição monumental organizada por Marly de Oliveira, com assistência do autor, reúne toda a produção de João Cabral - poesia, prosa, discursos, textos críticos e escritos dispersos -, constituindo um verdadeiro arquivo integral em um volume único. Apresenta aparato crítico extenso, cronologia e fortuna crítica, estabelecendo-se como edição de referência.

João Cabral de Melo Neto (1920–1999), poeta pernambucano, é uma das vozes mais rigorosas e inovadoras da literatura brasileira do século XX. Sua poesia alia economia verbal, construção quase arquitetônica dos versos e forte dimensão social, particularmente voltada à realidade nordestina. Em Morte e Vida Severina, essa poética se condensa de forma exemplar, quando o autor dá voz ao retirante que se reconhece em todos os outros, definindo a própria existência pela repetição da miséria e pela proximidade da morte:

«E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).»
(p. 172)

Este trecho concentra o núcleo simbólico do poema: a constatação de que a identidade dos «Severinos» é a da repetição da miséria, da morte precoce e inevitável. Cabral traduz em forma poética a violência estrutural contra o povo sertanejo, num ritmo seco, quase litúrgico. A força impactante da passagem está na denúncia direta, em que a morte não é destino individual, mas destino coletivo.

Exemplar com encadernação editorial em capa dura verde, com douração preservada na lombada e na assinatura fac-símile em ouro na capa. Capa, lombada e miolo íntegros, limpos e preservados.