João Cabral de MELO NETO (1920–1999). Obra Completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994). Primeira edição.

MELO NETO, João Cabral de (1920–1999). Obra Completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1994).

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MELO NETO (João Cabral de) [1920–1999].— JOÃO CABRAL // DE MELO NETO // OBRA COMPLETA // Edição organizada por Marly de Oliveira // com assistência do autor // [monograma com as letras T e N entrelaçadas] // RIO DE JANEIRO, EDITORA NOVA AGUILAR S.A., 1994 // BIBLIOTECA // LUSO-BRASILEIRA // Série Brasileira // JOÃO CABRAL DE MELO NETO // OBRA COMPLETA // Volume único // INTRODUÇÃO GERAL // Prefácio / Cronologia da vida e da obra / Bibliografia // POESIA // Pedra do sono / Os três mal-amados / O engenheiro // Psicologia da composição / O cão sem plumas / O rio // Paisagens com figuras / Morte e vida severina // Uma faca só lâmina / Quaderna / Dois parlamentos / Serial // A educação pela pedra / Museu de tudo / A escola das facas // Auto do frade / Agrestes / Crime na Calle Relator // Sevilha andando / Andando Sevilha // PROSA // Considerações sobre o poeta dormindo / Joan Miró // Poesia e composição / Crítica literária / Da função moderna da poesia // Como a Europa vê a América / Elogio de Assis Chateaubriand // A diversidade cultural no diálogo Norte-Sul // Agradecimento pelo Prêmio Neustadt // APÊNDICE // Primeiros poemas // ÍNDICES.— In-12.º, 836, [2] p. E. editorial.

João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, é uma das vozes mais rigorosas e inovadoras da literatura brasileira do século XX. Sua poesia alia economia verbal, construção quase arquitetônica dos versos e forte dimensão social, particularmente voltada à realidade nordestina.

Integrante da coleção Biblioteca Luso-Brasileira (Série Brasileira), esta edição organizada por Antonio Carlos Secchin concentra-se no essencial da obra cabralina: toda a poesia publicada em vida e uma seleção de prosas reflexivas. Enriquecida com introdução, fortuna crítica e iconografia, apresenta-se como edição de referência literária, situando a obra de Cabral no panorama da poesia brasileira e universal. 

Em Morte e Vida Severina, essa poética se condensa de forma exemplar, quando o autor dá voz ao retirante que se reconhece em todos os outros, definindo a própria existência pela repetição da miséria e pela proximidade da morte:

«E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).»
(p. 172)

Este trecho concentra o núcleo simbólico do poema: a constatação de que a identidade dos «Severinos» é a da repetição da miséria, da morte precoce e inevitável. João Cabral traduz em forma poética a violência estrutural contra o povo sertanejo, num ritmo seco, quase litúrgico. A força impactante da passagem está na denúncia direta, em que a morte não é destino individual, mas destino coletivo.

Exemplar com encadernação editorial em capa dura verde, com douração preservada na lombada e na assinatura fac-símile na capa, apresentando apenas pequenos e leves pontos de desbotamento, quase imperceptíveis. Possui alguns pontos de oxidação, sobretudo nos cortes e nas primeiras e últimas páginas, sem prejudicar textos ou imagens do exemplar. Capa, lombada e miolo íntegros, limpos e preservados. Sem assinatura, carimbo ou marcações.