HORÁCIO (65–8 a.C.). Arte poetica (Officina Rollandiana, Lisboa, 1778).
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HORÁCIO [65–8 a.C.].— ARTE // POETICA // DE // Q. HORACIO FLACCO; // Traduzida, e illustrada em Portuguez // POR CANDIDO LUSITANO. // SEGUNDA EDIÇÃO, // Correcta, e emendada. // [vinheta ornamental com monograma «R» em cartela oval, envolvida por motivos rocaille] // LISBOA, // NA OFFICINA ROLLANDIANA: // [ornamento tipográfico linear] // MDCCLXXVIII. // Com licença da Real Meza Censoria.— In-12.º, [30], 255 p. E. editorial em plena pele.
Segunda edição, revista e emendada, da tradução portuguesa da Ars Poetica de Horácio por Francisco José Freire (1719–1773), mais conhecido pelo nome arcádico de Cândido Lusitano. Publicada em Lisboa pela Officina Rollandiana em 1778, esta edição sucede à primeira impressão da tradução, aparecida em 1758, e constitui um testemunho particularmente representativo da recepção portuguesa de Horácio no século XVIII.
Tradicionalmente conhecida como Ars Poetica ou Epistula ad Pisones, a epístola horaciana tornou-se um dos textos fundamentais da reflexão ocidental sobre poesia. Dirigindo-se à família dos Pisões, Horácio discorre sobre unidade e coerência da composição, adequação entre matéria e forma, verossimilhança, linguagem, caracterização, gêneros dramáticos e o trabalho de revisão exigido do poeta. A célebre combinação horaciana entre prazer e utilidade — o dulce e o utile — atravessaria a teoria literária europeia durante séculos e alcançaria particular importância no ambiente neoclássico do Setecentos.
A edição de Cândido Lusitano assume especial interesse porque não se limita à simples transposição do texto latino. O original aparece acompanhado da tradução portuguesa e de um comentário extenso, no qual o tradutor esclarece passagens, examina conceitos poéticos e confronta Horácio com autores e preceptistas antigos e modernos. O volume abre ainda com um «Discurso preliminar do traductor», no qual Freire apresenta Horácio e explicita critérios de sua interpretação e tradução. Trata-se, assim, simultaneamente de tradução, comentário e exercício de crítica literária setecentista.
Francisco José Freire foi uma das figuras centrais da reflexão poética portuguesa do século XVIII. A presente obra deve ser distinguida de sua própria Arte Poética, ou Regras da Verdadeira Poesia, publicada originalmente em 1748: aqui, Freire atua como tradutor e comentador da obra horaciana, inserindo-a diretamente no debate estético e pedagógico que acompanhou a afirmação do gosto neoclássico em Portugal.
A composição tipográfica é enriquecida por capitulares ornamentadas, vinhetas, florões e cabeçalhos decorativos. Ao término do texto encontra-se ainda um «Catalogo dos livros impressos á custa de Francisco Rolland, impressor-livreiro em Lisboa, na esquina da Rua do Norte», seguido de outros títulos então disponíveis, interessante registro contemporâneo da atividade editorial e livreira de Rolland.
Exemplar em encadernação editorial em plena pele, com lombada de cinco nervos, compartimentos profusamente ornamentados a ouro com motivos vegetalistas e florais e rótulo vermelho com título dourado. A encadernação apresenta pátina condizente com a idade, abrasões e escurecimentos superficiais nas pastas, desgaste mais perceptível em extremidades, cantos e nervos, além de craquelamento da pele e pequenas fissuras superficiais junto às articulações; o douramento da lombada permanece amplamente legível e decorativamente expressivo. Guardas antigas fortemente tonalizadas, com mosqueado e manchas decorrentes do envelhecimento natural do papel. Miolo bem preservado para a idade, com papel de boa consistência, impressão nítida e margens preservadas; apresenta tonalização uniforme e pequenos pontos e manchas esparsos, sem prejuízo da leitura. Todos os cortes tingidos de vermelho, com a coloração ainda bastante presente e algumas pequenas marcas pontuais. Preservam-se integralmente a ornamentação tipográfica, a tradução portuguesa e o extenso comentário de Cândido Lusitano, com as passagens latinas reproduzidas ao longo do texto. Exemplar de presença material particularmente atraente, combinando a importância da edição com uma encadernação setecentista de forte caráter decorativo.
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