SIMONDS, Frank H. (1878-1936). Can Europe Keep the Peace? (Hamish Hamilton, Ltd., London, circa 1930).
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SIMONDS (Frank H.) [1878-1936].— CAN EUROPE // KEEP THE PEACE? // BY // Frank H. Simonds, Litt.D. // [Emblema tipográfico da editora Hamish Hamilton] // PUBLISHERS // HAMISH HAMILTON, LTD. // 90 GREAT RUSSELL STREET, LONDON.— In-8.º., XIII, 360 p. E. editorial.
Frank H. Simonds foi um dos mais influentes jornalistas e analistas políticos do mundo anglo-saxão na primeira metade do século XX. Correspondente internacional durante a Primeira Guerra Mundial, observador da Conferência de Paz de Paris e das primeiras décadas da Liga das Nações, Simonds construiu reputação singular: a de intérprete lúcido do sistema internacional num momento em que a Europa buscava, com dificuldade, reconstruir-se sobre as ruínas de 1918.
Publicado em 1931, Can Europe Keep the Peace? é um dos testemunhos intelectuais mais penetrantes do período do entreguerras. Escrito antes da ascensão definitiva do nazismo e da catástrofe de 1939, o livro possui o raro valor de ser uma análise contemporânea aos fatos, e não uma interpretação retrospectiva. Simonds examina, com rigor analítico de feição jurídica, as bases frágeis sobre as quais se ergueu a ordem europeia após o Tratado de Versalhes: a autodeterminação dos povos, o redesenho das fronteiras, o problema das minorias nacionais, as reparações de guerra e a crença — talvez excessiva — no poder normativo da Liga das Nações.
A obra percorre temas centrais da geopolítica da época: o Corredor Polonês, o Anschluss austríaco, a questão tchecoslovaca, os Bálcãs e o Adriático, além das tensões entre França, Alemanha e Grã-Bretanha. Simonds não escreve como mero cronista, mas como observador privilegiado que esteve em Londres, Paris, Genebra, Viena e Varsóvia, entrevistando estadistas, diplomatas e militares. Seu texto revela a mecânica interna das conferências internacionais e expõe, com notável clareza, o conflito entre o idealismo jurídico dos tratados e a realidade dura do poder.
Para o leitor interessado na tradição política britânica e no pensamento de Winston Churchill, o livro apresenta valor especial. Ele descreve exatamente o mundo que Churchill, frequentemente em posição minoritária nos anos 1930, denunciava como perigoso: uma Europa sustentada por acordos frágeis, pela ilusão do desarmamento e pela crença de que a paz poderia ser garantida apenas por palavras impressas. Ler Simonds é acompanhar, de outro ângulo, o mesmo drama histórico que mais tarde inspiraria obras como The Gathering Storm.
Do ponto de vista jurídico-intelectual, trata-se de um estudo exemplar sobre os limites do direito internacional: a legitimidade dos tratados, o equilíbrio de poder, a proteção das minorias e a tensão permanente entre legalidade e soberania. Para um advogado com interesse em história constitucional e diplomática, a obra funciona como verdadeiro laboratório das ideias que moldaram — e falharam em sustentar — a ordem europeia do século XX.
No início do prefácio, Simonds recorda o otimismo que se seguiu aos Acordos de Locarno e à entrada da Alemanha na Liga das Nações. Contudo, com franqueza intelectual, reconhece que aquela confiança se revelou ilusória e que a paz europeia não era apenas um arranjo diplomático, mas um problema de natureza moral, política e jurídica. Ele escreve:
«That hope proved, at least temporarily, unfounded. In the present volume, therefore, I have undertaken to examine in detail the issues, the policies and the states of mind of the European peoples, which collectively constitute the problem of peace, together with the experiments in international association, which have been made since the close of the World War.»
(Preface, p. XI).
Além de seu conteúdo, o volume possui inegável valor bibliófilo: edição inglesa clássica da Hamish Hamilton, com mapas originais e acabamento típico das grandes publicações do período. É peça que dialoga naturalmente com bibliotecas dedicadas à Inglaterra, aos grandes estadistas e à formação do pensamento político moderno.
Em síntese, Can Europe Keep the Peace? é mais que um livro de história: é a radiografia intelectual do mundo que antecedeu a Segunda Guerra e que desafiou toda uma geração de líderes — entre eles Churchill — a repensar os fundamentos da civilização europeia.
O exemplar encontra-se em bom estado de conservação, com encadernação íntegra e firme, lombada preservada com leves pontos de desbotamento na douração. Miolo limpo e completo, com amarelamento uniforme das páginas pelo tempo. Possui mapas originais preservados. O exemplar apresenta discretas marcas de manuseio compatíveis com sua idade, sem qualquer prejuízo à leitura, à integridade estrutural ou ao valor histórico da obra.
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