CRUZ E SOUSA, João da (1861–1898). Obra completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2000).
CRUZ E SOUSA, João da (1861–1898). Obra completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2000).
CRUZ E SOUSA, João da (1861–1898). Obra completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2000).
CRUZ E SOUSA, João da (1861–1898). Obra completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2000).
CRUZ E SOUSA, João da (1861–1898). Obra completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2000).
CRUZ E SOUSA, João da (1861–1898). Obra completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2000).
CRUZ E SOUSA, João da (1861–1898). Obra completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2000).

CRUZ E SOUSA, João da (1861–1898). Obra completa (Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 2000).

ATÉ 10X
SEM JUROS
ENVIO
CURATORIAL
FRETE
GRÁTIS
Referência: 00010

CRUZ E SOUSA (João da)[(1861–1898].— CRUZ E SOUSA // OBRA COMPLETA // ORGANIZAÇÃO // Andrade Murici // ATUALIZAÇÃO E NOTAS // Alexei Bueno // [Monograma da Editora Nova Aguilar com letras "N" e "A" entrelaçadas em vermelho] // [——] // RIO DE JANEIRO, EDITORA NOVA AGUILAR S. A., 2000 // BIBLIOTECA // LUSO-BRASILEIRA // Série Brasileira // CRUZ E SOUSA // OBRA COMPLETA // INTRODUÇÃO GERAL // Nota editorial / Nota editorial da primeira edição // Atualidade de Cruz e Sousa / Cronologia da vida e da obra // POESIA // Broquéis / Faróis / Últimos sonetos / O livro derradeiro // (Cambiantes, Outros sonetos, Campesinas, Dispersas e Julieta dos Santos) // PROSA // Tropos e fantasias / Missal / Evocações // Outras evocações / Dispersos / Histórias simples / Correspondência // APÊNDICE // Notas e variantes / Bibliografia // ÍNDICES.— In-12.º, 899, [1] p. E. editorial.  

Cruz e Sousa, nascido em Santa Catarina e filho de pais negros alforriados, afirmou-se como o maior representante do Simbolismo brasileiro, movimento literário que valorizava a musicalidade, a sugestão e a transcendência da linguagem. Por sua condição singular — poeta negro em uma sociedade marcada pelo racismo estrutural — e pela elevação estética de sua poesia, foi consagrado pela crítica como o “Cisne Negro”, epíteto formulado por Nestor Vítor e reiterado por Andrade Murici. O cisne, imagem da pureza e da espiritualidade, unido à cor negra, sintetiza a tensão entre a exclusão social e a universalidade estética que marca sua obra.

A poesia de Cruz e Sousa dialoga diretamente com o Simbolismo europeu, em especial com Baudelaire e Mallarmé, ao trabalhar imagens de transcendência, musicalidade das palavras e uma visão quase mística da arte. No entanto, sua experiência concreta de marginalização no Brasil dá à sua obra uma densidade única: ela é ao mesmo tempo universal e profundamente situada no contexto social brasileiro do fim do século XIX.

O soneto Post Mortem, incluído em Broquéis (1893), revela com intensidade essa dimensão: a ideia de que, embora o corpo se desfaça e a fama terrena se esgote, os sonhos e os versos sobrevivem, eternizados no espírito humano e na grandeza da arte. Aqui, a lírica simbolista se alia a um sentimento de imortalidade artística, onde a poesia triunfa sobre a morte.

                «POST MORTEM

Quando do amor das Formas inefáveis
No teu sangue apagar-se a imensa chama,
Quando os brilhos estranhos e variáveis
Esmorecerem nos troféus da Fama.

Quando as níveas Estrelas invioláveis,
Doce velário que um luar derrama,
Nas clareiras azuis ilimitáveis
Clamarem tudo o que o teu Verso clama.

Já terás para os báratros descido,
Nos cilícios da Morte revestido,
Pés e faces e mãos e olhos gelados…

Mas os teus Sonhos e Visões e Poemas
Pelo alto ficarão de eras supremas
Nos relevos do Sol eternizados!»
(p. 88)

Exemplar com encadernação editorial em capa dura verde, com douração na lombada e assinatura fac-símile na capa preservada. Lombada, capa e miolo íntegros, limpos e conservados. Sem assinaturas, carimbos ou marcações. 2.ª reimpressão da 1.ª edição.