{"product_id":"vicente-gil-obras-gil-vicente-lello-irmao-1965-00331","title":"VICENTE, Gil (c.1465–c.1536). Obras de Gil Vicente (Lello \u0026 Irmão, Porto, 1965).","description":"\u003cp\u003eVICENTE (Gil) [c.1465–c.1536].— OBRAS \/\/ DE \/\/ GIL VICENTE \/\/ AUTOR - FARSAS - COMÉDIAS - TRAGICOMÉDIAS \/\/ - OBRAS VÁRIAS - CONTRIBUIÇÕES PARA O \/\/ CONHECIMENTO DAS OBRAS DE GIL VICENTE \/\/ [Vinheta editorial composta por letra capital ornamentada em forma de « L », dentro da qual figura um busto masculino, empunhando ferramentas. No campo interno lê-se a divisa « DECUS IN LABORE »] \/\/ 1965 \/\/ LELLO \u0026amp; IRMÃO - EDITORES \/\/ 144, RUA DAS CARMELITAS - PORTO.— In-12.º., VI, [2], 1468 p. E. editorial. \u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eGil Vicente é considerado o “pai do teatro português” e uma das maiores figuras do Renascimento ibérico. A sua produção dramática abarca autos, farsas, comédias e tragicomédias, conjugando elementos da tradição medieval com uma visão inovadora da realidade social, política e religiosa do seu tempo. Entre sátira e devoção, o teatro vicentino oferece um retrato multifacetado da sociedade portuguesa do século XVI, permanecendo até hoje como um dos pilares da literatura lusófona.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eO exemplar em questão corresponde à edição monumental das Obras de Gil Vicente, publicada em 1965 pela Lello \u0026amp; Irmão – Editores, no Porto, em um único volume. Trata-se de uma edição comemorativa, preparada por ocasião do quinto centenário do nascimento do dramaturgo, conforme assinala a “Nota dos Editores” (Porto, maio de 1965). Reúne de modo sistemático toda a obra conhecida de Gil Vicente: desde o \u003cem\u003eAuto da Visitação\u003c\/em\u003e (1502), passando pelas farsas célebres como a \u003cem\u003eFarsa de Inês Pereira\u003c\/em\u003e (1523) e o \u003cem\u003eAuto da Barca do Inferno\u003c\/em\u003e (1517), até romances, epístolas e textos complementares, acompanhados de glossário, notas, índice e cronologia gil-vicentina.\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003eNo \u003cem\u003eAuto da Barca do Inferno\u003c\/em\u003e, após ser confrontado pelo Diabo, o Fidalgo dirige-se ao Anjo, acreditando que sua condição nobre lhe garantiria um lugar na Barca da Glória. Contudo, o diálogo revela que a tirania e o desprezo pelos humildes são marcas que o afastam da salvação:\u003c\/p\u003e\n\u003cblockquote\u003e\n\u003cp\u003e\u003cem\u003e\u003cstrong\u003e           \u003c\/strong\u003e« FIDALGO\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eA est’outra barca me vou.\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eHou da barca! pera onde is?\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eAh barqueiros, não m’ouvis?\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eRespondei-me. Hou lá, hou!\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003ePardeos, aviado estou:\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eCant’a isto he ja peor.\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eQue gericocins, salvanor!\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eCuidaõ ca que sou eu grou!\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e\u003cem\u003e            ANJO\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eQue mandais?\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e\u003cem\u003eFID.         Que me digais,\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003ePois parti tão sem aviso,\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eSe a barca do Paraizo\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eHe esta em que navegais.\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e\u003cem\u003eANJ. Esta he; que lhe buscais?\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e\u003cem\u003eFID. Que me leixeis embarcar:\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eSou fidalgo de solar,\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eHe bem que me recolhais.\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e\u003cem\u003e            ANJO\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003e  Não se embarca tyrannia\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eNeste batel divinal.\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e\u003cem\u003eFID. Não sei porque haveis por mal\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eQu’entre minha senhoria.\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e\u003cem\u003eANJ. Pera vossa fantasia\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eMui pequena he esta barca.\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e\u003cem\u003eFID. Pera senhor de tal marca\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eNão ha hi mais cortezia?\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003cp\u003e\u003cem\u003eANJ.   Venha a prancha e o atavio;\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eLevae-me desta ribeira.\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eNão vindes vós de maneira\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003ePera entrar neste navio.\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eEss’outro vai mais vazio,\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eA cadeira entrará,\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eE o rabo caberá,\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eE todo vosso senhorio.\u003cbr\u003e  Ireis lá mais espaçoso,\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eVós e vossa senhoria,\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eContando da tyrannia\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eDe que ereis tão curioso.\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eE porque de generoso\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eDesprezastes os pequenos;\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eAchar-vos-heis tanto menos,\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003eQuanto mais fostes fumoso. »\u003c\/em\u003e\u003cbr\u003e\u003cem\u003e(pp. 223-224).\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e\n\u003c\/blockquote\u003e\n\u003cp\u003eEsse momento é central porque deixa evidente a crítica social de Gil Vicente: o poder e o prestígio mundano não têm valor diante da justiça divina. A arrogância e a tirania do Fidalgo tornam inevitável sua condenação à barca do Inferno.\u003c\/p\u003e\n\u003cp data-start=\"84\" data-end=\"551\"\u003eO volume apresenta encadernação editorial em capa dura verde, com dourações decorativas e título gravado na lombada. Encontra-se em muito bom estado de conservação, com discretos sinais de manuseio na capa. A encadernação mantém firmeza estrutural, o dourado permanece nítido e bem preservado, e o exemplar conserva o caráter sólido e elegante da edição. O miolo, impresso em papel-bíblia, apresenta-se íntegro, firme e limpo, com impressão clara e legível. Apresenta apenas alguns pontos de oxidação, sobretudo nos cortes e amarelamento uniforme sobretudo nas primeiras e últimas páginas em branco. Sem carimbos, assinaturas ou marcações. \u003cem style=\"font-size: 0.875rem;\"\u003e\u003c\/em\u003e\u003c\/p\u003e","brand":"Inactual","offers":[{"title":"Default Title","offer_id":53817471566099,"sku":"00331","price":490.0,"currency_code":"BRL","in_stock":true}],"thumbnail_url":"\/\/cdn.shopify.com\/s\/files\/1\/0932\/8541\/7235\/files\/00331-obras-de-gil-vicente-lello-thumb.jpg?v=1778849151","url":"https:\/\/www.inactual.com.br\/products\/vicente-gil-obras-gil-vicente-lello-irmao-1965-00331","provider":"Inactual","version":"1.0","type":"link"}